sexta-feira, 23 de outubro de 2015

AMIGOS SAPOS E MOCHO

Com três meses de vida, ainda bebe deram-me a beber água contaminada de um poço, dada por um conhecido/a da minha mãe.
Apanhei a cólera, estive eternada meses dentro de uma incubadora.

Frequentei a escola do "Adro" no Ano de 1978 e 1982 em Matosinhos.

Tenho boas memorias do Adro.
Uma escola tranquila rodeada de vários canteiros de flores, fontes de água com uma igreja a frente, várias capelinhas com imagens de Jesus, o coreto.

Ainda hoje sinto o cheiro das violentas, as flores não falam nunca nenhuma me respondeu, os canteiros ainda hoje estão cheios de flores e plantas, bem tratadas.

Tinha uns amigos "sapos" que visitava na hora do recreio, imito bem os sapos, mas acho que eles nunca me compreendiam, sinceramente eu também não os percebia.

Apaixonei por um rapaz, mas nunca lhe disse, apenas o admirava de longe e de perto.

Nunca faltei a escola, excepto no primeiro dia que senti tanto medo, passei horas a chorar, talves tenha ficado intimida pela professora.

Tinha um problema de audição e visão, que só em adulta percebi que não ouvia em perfeitas condições.
Sem saber porquê na altura sentia uma certa distância das outras crianças, acho que eu mesma me afastava.
Tive dificuldades em quase tudo, existia momentos que só vi-a as articulações da boca, não fazia ideia do que se falava.
Nunca deixei que ninguém percebesse as minhas limitações, receava que se afastassem ou me olhassem de forma diferente.
Hoje percebo o porquê da necessidade de me esforçar tanto para poder acompanhar o sistema que estava inserida.

Uns anos mais tarde fiz amizade com um Mocho.
Encontrava-me com o Mocho quase todos os dias durante quatro anos no mesmo local, e passava horas a olhar aqueles olhos enormes e ele para mim, Mocho sempre num silêncio.
Mocho atento a todas as minhas movimentações.
Oferecia pizza, hambúrguer, caramelos, bolos ao Mocho e ele nunca comeu.
Nunca percebi como se mantinha gordinho e robusto.
Um dia fui ter com o Mocho para despedir, lembro-me que falei, falei e e expliquei porquê não voltaria, chorei e ele não teve reacção.
Coloquei a moto a trabalhar e vim embora banhada em lágrimas.
No dia a seguir fiquei surpreendida quando vi o Mocho escondido no meio de uma pequena árvore a olhar para mim, era um local que ia muitas vezes.
Nem queria acreditar que o Mocho me seguiu aquele tempo todo nem tinha percebido.

O Mocho é inteligente, atento e é lindo.
Dei-lhe o nome de Máximus.





Adelaide Moça frequentou a escola do Adro

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